
Estalactites e Estalagmites — Acervo Especial
4 formatosUS$ 99.000 – 250.000
Bronze maciço, alumínio aeronáutico e aço — em quatro formatos, de 33 cm³ a um metro.
Catálogo da obra · MMXXVI
Trinta e quatro peças únicas em bronze maciço, alumínio aeronáutico, aço e cobre — onde a matéria aprende o gesto da mão que a abriu.

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A obra de Roberto Claussen habita o ponto exato onde o bronze deixa de ser metal e começa a ser gesto. Formas que parecem lembrar o mar, o corpo, a semente — e que, no entanto, não representam nada além de sua própria tensão entre a luz e a sombra.
Cada peça é um original: fundida à cera perdida, patinada e polida à mão até que a matéria aprenda a respirar. Este catálogo reúne trinta e quatro dessas respirações, ordenadas não por data mas por matéria.
O bronze lembra o gesto da mão que o abriu.

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Alumínio aeronáutico polido — o metal não reflete: respira luz.

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A matéria aprende a brilhar dentro do escuro.
Lâm. 13 · Estalactites e Estalagmites · Bronze maciço puro

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A parede também pode ser uma partitura.

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A mesma peça aprende outra voz a cada metal.

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Toda peça nasce em cera. O modelo se veste de um molde refratário, o metal é vertido em brasa e a cera se perde para sempre: por isso cada fundição é irrepetível.
Depois chega a mão. A pátina é aplicada ao fogo, camada sobre camada, até encontrar o tom exato do bronze; o alumínio aeronáutico é levado ao polimento espelhado; o conjunto se assenta sobre granito preto absoluto.

Há artistas que esculpem a matéria. Roberto Claussen esculpe o tempo, a memória e a própria natureza.
Escultor brasileiro autodidata, percorreu mais de uma centena de países levando consigo um olhar inquieto e uma certeza: nada está verdadeiramente perdido quando a arte é capaz de revelar uma nova existência. Aquilo que muitos chamam de descarte, Claussen reconhece como matéria-prima da criação. Árvores tombadas, madeiras esquecidas, metais abandonados, fragmentos recolhidos de rios, florestas e oceanos transformam-se em esculturas que devolvem beleza, significado e permanência ao que parecia destinado ao esquecimento.
Conhecido como “O Escultor dos Sete Mares”, eternizou sua relação com os oceanos na série Amar o Mar. Desde a ECO-92, tornou-se também um dos pioneiros da Arte Sustentável, fazendo do reaproveitamento de materiais um gesto artístico, ambiental e, sobretudo, humano. Cada obra nasce como um ato de resgate — da matéria, da natureza e da consciência.
Nascido nas águas de Niterói e criado entre as montanhas de Petrópolis, encontrou em Brasília a amplidão do horizonte e, em São Paulo, o ponto de partida para conquistar o mundo. Depois de atravessar continentes e culturas, afirma viver apenas o início de sua verdadeira jornada artística. Para Claussen, criar é recomeçar diariamente.
Sua obra desafia classificações. Esculturas brotam do chão como raízes, descem pelas paredes como cachoeiras e pendem dos tetos como formações milenares da natureza. Entre o figurativo e o abstrato, entre o clássico e o contemporâneo, desenvolveu uma linguagem própria, em que o bronze convive com a madeira, o aço, o ferro, o alumínio e toda matéria capaz de renascer pelas mãos do artista.
Mais do que escultor, Claussen é um guardião da natureza. Desde a infância planta árvores, hoje também planta ideias e semeia esculturas. Em suas palestras, repete uma convicção que norteia toda a sua trajetória: a arte e a cultura não apenas transformam pessoas; podem transformar o mundo.
Ao pintar grandes painéis diretamente com as mãos, busca manter o contato imediato com a energia da criação. Para ele, as mãos guardam uma memória que nenhum instrumento consegue traduzir por completo. São elas que estabelecem o diálogo entre o ser humano e a matéria, entre a imaginação e a obra.
A arquitetura tornou-se outra de suas grandes escolas. Em Oscar Niemeyer encontrou um mestre que lhe ensinou que a vida vale mais do que o reconhecimento. Em Claudia Therezinha Costa descobriu novos caminhos para compreender a beleza, a estética, o urbanismo, a poesia e o pensamento artístico. Desses encontros nasceram ideias, escritos, conceitos e a certeza de que criar é, antes de tudo, um compromisso com a existência.
Ao longo da vida, também compartilhou aprendizados com grandes nomes da arte brasileira, entre eles Maria Guilhermina, João Carlos Goldberg, Bruno Giorgi, Athos Bulcão e Roberto Burle Marx. Mestres que alimentaram sua sensibilidade sem jamais alterar sua essência autodidata.
Hoje, Roberto Claussen continua a percorrer o mesmo caminho iniciado na infância: plantar árvores, resgatar a matéria esquecida, criar esculturas e inspirar pessoas.
Porque acredita que ainda faltam incontáveis árvores para serem plantadas, inúmeros espaços para serem ocupados pela arte e infinitas oportunidades para que o ser humano reaprenda a contemplar a beleza.
Sua obra não busca apenas ocupar espaços.
Busca despertar consciências.
E lembrar que o maior material de construção do Universo continua sendo o amor.
